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Segundo a mídia sulcoreana informou segunda-feira, o presidente estadounidense Barack Obama participará da segunda cúpula internacional da seguridade nuclear, que ocorrerá em Seul nos dias 29-27 de Março, e falará a respeito do problema nuclear da Coreia do Norte. Houve um certo progresso na resolução deste problema depois do êxito relativo das negociações arericano-nortecoreanas realizadas em Pequim nos fins de Fevereiro. Mas as manobras diplomáticas ao redor da Coreia do Norte não podem ser consideradas fora do tema principal da agenda internacional – o Irã.

A subida ao poder do jovem líder da Coreia do Norte Kim Jong-un depois da morte do seu pai Kim Jong Il no dezembro passado deu uma esperança de reinício do processo das negociações sobre o programa nuclear da Coreia do Norte. Acontece que esta esperança tem fundamento.

O primeiro vice-ministro das Relações Exteriores da RDPC, Kim Kye Gwan, e o enviado especial dos EUA Glyn Davis negociaram em Pequim nos dias 23 e 24 de Fevereiro. De acordo com os resultados destas negociações, Pyongyang concordou adotar uma moratória aos testes nucleares, aos lançamentos de mísseis de longo alcance e às atividades de enriquecimento do urânio na usina de Yongbyon. Além disso, o representante do Ministério das Relações Exteriores sublinhou: “A RDPC, respondendo ao pedido dos EUA e visando manter uma atmosfera positiva nas negociações de alto nível entre a RDPC e os EUA, aceitou permitir que a AIEA controle a moratória às atividades de enriquecimento durante o diálogo produtivo”.

Por seu turno, os EUA prometeram fornecer à Coreia do Norte, que tem sofrido com as quebras de safra e inundações por vários anos consecutivos, 240 mil toneladas de ajuda alimentícia. Esta cifra pode ser aumentada.

A secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton, no seu discurso na Câmara de Representantes do Congresso estadunidense, disse que a moratória nuclear da Coreia do Norte é um primeiro pequeno passo na direção correta. Ao mesmo tempo ela notou que os EUA “estão ainda profundamente preocupados e Washington observará atentamente e julgará a nova liderança da Coreia do Norte pelas suas ações”.

Na verdade, o fundamento para as negociações atuais foi colocado no outono passado. Com Kim Jong Il ainda vivo, altos diplomatas dos EUA e da RDPC tiveram duas rondas de negociações diretas. Além disso, a fórmula “alimentos em troca da moratória” é comum no diálogo de Pyongyang com os parceiros estrangeiros.

Ainda assim, os acordos de Pequim são um sinal claro ao Irã, o sinal de que a complacência no assunto da “pasta nuclear” pode ser uma alternativa ao estreitamento das sanções e, mais que isso, à força militar.

A reação agitada de Israel comprova isto.

Danni Ayalon, vice-ministro das Relações Exteriores do Israel, entrevistado pela rádio israelita, disse que as semelhanças que os EUA fazem entre os programas nucleares do Irã e da Coreia do Norte não são relevantes, porque a RDPC já criou a arma nuclear, o que não pode ser permitido ao Irã.

A Coreia do Norte “já passou do ponto inicial (criou a arma nuclear), o que nós não gostaríamos de ver no caso do Irã”, disse, segundo Interfax, o diplomata israelita.

Israel está ou diz estar de prontidão para lançar um ataque preventivo contra alvos nucleares do Irã, embora este ataque seja dificilmente possível sem o apoio directo norteamericano. Mais de que isso, os EUA estão pacificando Tel-Aviv, o que foi evidenciado pelas negociações de Obama e Netanyahu em Washington semana passada. Parece que os EUA oferecem a Teerã uma chance de sair da situação ileso. No âmbito desta tática, o precedente nortecoreano torna-se um argumento importante.

Em certa medida, isto coincide com a atitude de Moscou. Valdimir Putin, o Presidente eleito da Rússia, declara no artigo de programa sobre a política externa publicado na véspera das eleições: “O status nuclear da RDPC é inaceitável para nós”, sublinhando que a Rússia deseja a desnuclearização da península Coreana por meios exclusivamente políticos e diplomáticos. A mesma atitude é adotada a respeito do Irã.

E a alternativa sugerida por Israel e que os EUA descartam ou dizem descartar, além de ameaçar desencadear uma nova guerra no Oriente Médio, poderá abalar a ordem mundial existente.

Vladimir Putin nota: “Há uma sensação de que os casos, que se tornam mais frequentes, de intervenção externa grave ou até de força nos assuntos internos dos países podem estimular certos regimes autoritários (bem como outros) a equipar-se com armas nucleares. Se eu tiver uma bomba nuclear no bolso, ninguém me tocará, pois o tiro sairia-lhe pela culatra. E quem não tiver a bomba, que espere uma intervenção “humanitária”. Esta tese foi excelentemente ilustrada pelos quadros do linchamento de Kadhafi, que abriu mão da criação das armas nucleares em troca da normalização das relações com o Ocidente.

A situação atual exige que Obama, durante o futuro fórum de Seul sobre a não-proliferação, “passe pelo buraco da agulha” de todos os interesses abertos e ocultos e de todas as ambições dos países nucleares, não-nucleares e “limiares”. Ou então o mundo desnuclearizado, que faz 4 anos em Praga ele prometeu construir, continuará sendo uma bela ilusão.
Fonte: VozdaRussia 

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