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Pluralismo: Revolução cultural e ou Política?

A China começou a falar de reformas políticas não por causa de receios de uma “revolução de jasmim” à semelhança das revoluções árabes, nem devido à pressão do Ocidente. É que sem o pluralismo, ela vai perder tudo que alcançou. Foi assim que os politólogos e peritos russos comentaram a declaração do presidente do Conselho de Estado da República Popular da China Wēn Jiābǎo, que já se tornou sensação mundial, de que a China necessita de reformas políticas. Caso contrário, surge o perigo de repetição da chamada “revolução cultural” da época de Mao Tse Tung.

O interesse do Ocidente em relação à declaração deste dirigente do Partido Comunista chinês foi estimulado ainda mais pelo fato de que ele vai deixar o seu posto depois do próximo congresso do partido, que será realizado no outono deste ano. Todavia, o cientista político Denis Tiurin avaliou a declaração de Wēn Jiābǎo não como uma revolução na consciência política, mas, antes, como a intenção de passar o seu cargo “de mão para mão”.

“Não vale a pena exagerar a importância da declaração de Wēn Jiābǎo sobre a necessidade de reformas políticas na China. No fundo, se trata da continuação da mesma política. Talvez seja uma recomendação de despedida aos novos dirigentes do país no sentido de continuar a política de reformas coerentes e suaves. O objetivo geral é formar na China um sistema político pluralista de um tipo novo. Agora, a direção chinesa se depara com o surgimento de uma nova geração. Estes jovens dispõem de rendimentos bastante altos, conhecem bem a internet, falam razoavelmente inglês, revelam interesse em relação a publicações estrangeiras e visitam os sites de Taiwan. Como é natural, nestas condições, o desenvolvimento interno da China requer uma certa suavização do regime político.”

O perito qualificou de pouco adequadas as tentativas de vários órgãos da mídia ocidental de relacionar as promessas de Wēn Jiābǎo de continuar as reformas políticas com os receios de eclosão de uma “revolução de jasmim” na China, ao molde das mudanças no Norte da África e no Próximo Oriente.

Por outro lado, o dirigente do Centro de Pesquisas Orientais junto da Academia Diplomática do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, Andrei Volodin, não admite que os “salamaleques” de Wēn Jiābǎo ao pluralismo sejam resultado da pressão do Ocidente.

“A China é um grande país que jamais seguiu os preceitos do Ocidente, que se governa pela própria cabeça e vive dos seus interesses. Este país simplesmente começa a passar de um paradigma de desenvolvimento político para outro. Esta passagem será gradual, será acompanhada por mudanças relativamente pequenas mas coerentes. Certamente, os chineses levam em consideração a experiência da chamada Primavera Árabe ou das chamadas “revoluções árabes”.”

Até onde Pequim pretenderá avançar pela via de liberalização do sistema político? O vice-diretor do Instituto de países da Ásia e da África junto da Universidade Estatal de Moscou, Andrei Korneev, supõe que a elite chinesa não se livrou do temor provocado pelo período de “perestroika” de Mikhail Gorbatchov e pelo desmoronamento da União Soviética que seguiu à “perestroika”. Por isso, ela não quer movimentos bruscos. Serão feitas novas e novas declarações de que as normas democráticas já se observam no país e que, inclusive, Mao Tse Tung teria exortado a observar estas normas. Mas os passos reais serão muito cautelosos e graduais, – considera Andrei Karneev.
Fonte: VozdaRussia

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