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Em uma das mais belas passagens do Antigo Testamento da Bíblia (Gênesis 9.21) Noé, após o dilúvio, plantou vinha e fez o vinho. Fez uso da bebida a ponto de se embriagar. Reza a bíblia que Noé gritou, tirou a roupa e desmaiou. Momentos depois seu filho Cam o encontrou “tendo à mostra as suas vergonhas”. Foi a primeiro relato que se tem conhecimento de um caso de embriaguez. Michelangelo, famoso pintor renascentista (1475-1564), se inspirou nesse episódio pintar um belíssimo afresco, com esse nome, no teto da Capela Sistina, no Vaticano. Nota-se, assim, que não apenas o uso de álcool, mas também a sua embriaguez, são aspectos que acompanham a humanidade desde seus primórdios.

O consumo de bebidas alcoólicas é um costume muito antigo e bem aceito pela sociedade, contudo, o álcool é considerado uma droga e tem atuação diretamente no sistema nervoso central, causando alterações no comportamento do indivíduo.

Logo após sua ingestão, o álcool causa uma sensação de euforia e desinibição que acaba estimulando o consumo, entretanto, depois de um período surgem efeitos como sono e falta de coordenação motora, que são fatores causadores de um número significativo de acidentes de trânsito. Quando consumido em excesso, pode causar intoxicação e inclusive levar ao estado de coma.

O indivíduo que consume bebidas alcoólicas com frequência e em grande quantidade, apresenta o risco de desenvolver dependência, conhecida neste caso como alcoolismo.

O alcoolismo é considerado uma doença e acomete 11,2% dos brasileiros que vivem nas 107 maiores cidades do país, segundo o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (OBID). Saber reconhecer os sinais de dependência de álcool pode ser fundamental no auxilio ao enfrentamento da doença, conheça-os:

• Desenvolvimento de tolerância a bebida alcoólica;

• Importância do álcool na vida da pessoa do indivíduo;

• Grande desejo de beber;

• Dificuldade de reconhecer o momento de parar de beber;

• Surgimento de sintomas desagradáveis quando esta sem beber (abstinência);

• Ingestão de bebida alcoólica para aliviar os sintomas de abstinência.

Quando consumido com freqüência e por um período prolongado, além de causar dependência, o álcool pode provocar doenças como cirrose hepática, gastrite, úlcera e danos cerebrais irreversíveis.

Muito além dos danos causados à saúde física, o alcoolismo está associado com freqüência a atos de violência praticados contra familiares, abandono do trabalho e do convívio social, acidentes de trânsito e envolvimento em brigas e crimes.

A diminuição da capacidade de julgamento potencializa a exposição a comportamentos de risco, como o uso de outras drogas ou a não utilização de preservativo durante a relação sexual, possibilitando a aquisição de outras doenças.

Existem diversas formas para se tratar o alcoolismo, entre elas esta o uso de medicamentos, psicoterapias e grupos de apoio, contudo, o indivíduo precisa reconhecer que necessita de ajuda e buscar um aconselhamento médico.

O envolvimento familiar é fundamental para proporcionar ao dependente de álcool o suporte que ele necessita para abandonar o vício.

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Você sabia que…

  • A bebida alcoólica surgiu ao acaso durante o período Neolítico na pré-história?
  • Alexandre, o Grande, caiu inconsciente depois de beber muito em seu ultimo banquete e veio a morrer dias depois de doença relacionada ao abuso de álcool?
  • A regulamentação do comércio de vinho passou a existir de forma mais consistente a partir da Idade Média?
  • As mulheres russas proletárias no inicio do século XX colocavam bebida destilada nas chupetas de seus filhos?
  • Na Inglaterra do século XVIII o gim era conhecido como a bebida de preferência das mulheres?
  • Apesar do abuso de álcool ter sido sempre criticado durante a história humana, o conceito de dependência alcoólica só foi surgir no final do século XVIII e início do século XIX?

Quando tudo começou…

  • Acredita-se que a bebida alcoólica teve origem na Pré-História, mais precisamente durante o período Neolítico quando houve a aparição da agricultura e a invenção da cerâmica. A partir de um processo de fermentação natural ocorrido há aproximadamente 10.000 anos o ser humano passou a consumir e a atribuir diferentes significados ao uso do álcool. Os celtas, gregos, romanos, egípcios e babilônios registraram de alguma forma o consumo e a produção de bebidas alcoólicas1,2.
     
  • A Embriaguez de Noé
  • Em uma das mais belas passagens do Antigo Testamento da Bíblia (Gênesis 9.21)  Noé, após o dilúvio, plantou vinha e fez o vinho. Fez uso da bebida a ponto de se embriagar. Reza a bíblia que Noé gritou, tirou a roupa e desmaiou. Momentos depois seu filho Cam o encontrou “tendo à mostra as suas vergonhas”. Foi a primeiro relato que se tem conhecimento de um caso de embriaguez. Michelangelo, famoso pintor renascentista (1475-1564), se inspirou nesse episódio pintar um belíssimo afresco, com esse nome, no teto da Capela Sistina, no Vaticano. Nota-se, assim, que não apenas o uso de álcool, mas também a sua embriaguez, são aspectos que acompanham a humanidade desde seus primórdios.

    O álcool através da história

    Grécia e Roma

    O solo e o clima na Grécia e em Roma eram especialmente ricos para o cultivo da uva e produção do vinho. Os gregos e romanos também conheceram a fermentação do mel e da cevada, mas o vinho era a bebida mais difundida nos dois impérios tendo importância social, religiosa e medicamentosa.

    No período da Grécia Antiga o dramaturgo grego Eurípedes (484 a.C.-406 a.C.) menciona nas Bacantes duas divindades de primeira grandeza para os humanos: Deméter, a deusa da agricultura que fornece os alimentos sólidos para nutrir os humanos, e Dionísio, o Deus do vinho e da festa (Baco para os Romanos). Apesar do vinho participar ativamente das celebrações sociais e religiosas greco-romanas, o abuso de álcool e a embriagues alcoólica já eram severamente censurados pelos dois povos.

    Egito Antigo

    Os egípcios deixaram documentado nos papiros as etapas de fabricação, produção e comercialização da cerveja e do vinho. Eles também acreditavam que as bebidas fermentadas eliminavam os germes e parasitas e deveriam ser usadas como medicamentos, especialmente na luta contra os parasitas provenientes das águas do Nilo.

    Idade Média

    A comercialização do vinho e da cerveja cresce durante este período, assim como sua regulamentação. A intoxicação alcoólica (bebedeira) deixa de ser apenas condenada pela igreja e passa a ser considerada um pecado por esta instituição.

    Idade Moderna

    Durante e Renascença passa a haver a fiscalização dos cabarés e tabernas, sendo estipulados horários de funcionamento destes locais. Os cabarés e tabernas eram considerados locais onde as pessoas podiam se manifestar livremente e o uso de álcool participa dos debates políticos que mais tarde vão desencadear na Revolução Francesa.

    Idade Contemporânea

    O fim do século 18 e o início da Revolução Industrial é acompanhado de mudanças demográficas e de comportamentos sociais na Europa. É durante este período que o uso excessivo de bebida passa a ser visto por alguns como uma doença ou desordem. Ainda no início e na metade do século 19 alguns estudiosos passam a tecer considerações sobre as diferenças entre as bebidas destiladas e as bebidas fermentadas, em especial o vinho. Neste sentido, Pasteur em 1865, não encontrando germes maléficos no vinho declara que esta é a mais higiênica das bebidas.

    Durante o século 20 paises como a França passam a estabelecer a maioridade de 18 anos para o consumo de álcool e em janeiro de 1920 o estado Americano decreta a Lei Seca que teve duração de quase 12 anos. A Lei Seca proibiu a fabricação, venda, troca, transporte, importação, exportação, distribuição, posse e consumo de bebida alcoólica e foi considerada por muitos um desastre para a saúde pública e economia americana.

    Foi no ano de 1952 com a primeira edição do DSM-I (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) que o alcoolismo passou a ser tratado como doença.
     
    No ano de 1967, o conceito de doença do alcoolismo foi incorporado pela Organização Mundial de Saúde à Classificação Internacional das Doenças (CID-8), a partir da 8ª Conferência Mundial de Saúde. No CID-8, os problemas relacionados ao uso de álcool foram inseridos dentro de uma categoria mais ampla de transtornos de personalidade e de neuroses. Esses problemas foram divididos em três categorias: dependência, episódios de beber excessivo (abuso) e beber excessivo habitual. A dependência de álcool foi caracteriza pelo uso compulsivo de bebidas alcoólicas e pela manifestação de sintomas de abstinência após a cessação do uso de álcool.
    Fonte: cisa.org
     
    Aproveite e leia também sobre a nova “Lei Seca”, aqui.
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