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Vários jornalistas da televisão árabe Al Jazeera estão se demitindo por discordarem da posição da direção relativamente à cobertura da situação na Síria.

Distorção de fatos, omissão da verdade e aberta desinformação – todos os métodos são bons para criar no telespetador ideias erradas sobre os acontecimentos sírios. Mas nem todos os jornalistas concordam em passar por cima das normas da ética jornalística.

As manifestações antigovernamentais na Síria duram há um ano. Se, no início, face aos acontecimentos no Egito e na Líbia, a Síria não estava no centro das atenções da política internacional, agora todos os noticiários começam com notícias sobre Damasco. No entanto, as informações que nos chegam de lá são contraditórias. A opinião pública ocidental vai estando a par da situação através, fundamentalmente, das reportagens dos canais por satélite Al Jazeera e Al-Arabia. Só que o governo de Damasco afirma que estes canais estão travando uma guerra de informação contra a Síria. Um ex-jornalista da Al Jazeera no Líbano, Ali Khashem, falou precisamente sobre esta situação em entrevista ao canal russo Rossia-24.

Há um ano, ele foi testemunha dos acontecimentos que tiveram lugar na Síria. No entanto, a direção do canal preferiu se colocar do lado dos opositores do regime de Bashar Assad, o que se refletiu nas reportagens. Em protesto contra a falta de objetividade da cobertura da situação na Síria, Ali Khashem e dois dos seus colegas apresentaram a demissão.

“As manifestações na Síria nunca foram pacíficas desde o início. Já nessa altura havia lá pessoas armadas. Eu vi isso com os meus próprios olhos. Esta foi uma das razões da minha saída da Al Jazeera. Eu vi pessoas armadas que vieram para a Síria através da fronteira do Líbano. Não eram uma nem duas, eram dezenas de pessoas e elas entraram nos confrontos com as tropas governamentais. Eu vi isso com os meus olhos e não preciso de perguntar a ninguém como aconteceu”.

A grosseira distorção dos fatos nas reportagens televisivas pode contribuir para criar uma imagem falsa no público em geral relativamente aos acontecimentos na Síria. No entanto, tais reportagens, ou melhor, tais provocações informativas, não conseguem induzir a engano os especialistas que conhecem bem a situação, refere Boris Bolgov, do Instituto de Estudos Orientais da Academia das Ciências Russa.

“Eu estive na Síria em agosto de 2011 e em janeiro de 2012 e quando dizem que a Al Jazeera, a Al Arabia, a CNN e algumas agências ocidentais estão levando a cabo uma aberta guerra de informação, isso é absolutamente verdade. Por exemplo, a nossa delegação esteve em Hamah e viu as manifestações de apoio a Bashar Assad. Mas, no dia seguinte, vimos a reportagem da CNN onde se afirmava que tinha havido um ataque à nossa delegação e que havia dois feridos. Eu vi um jornal ocidental com uma fotografia dos manifestantes. A fotografia dizia por baixo: Manifestação contra o regime de Assad. Ora, eu sei árabe e sei o que estava escrito dos cartazes dos manifestantes: Apoiamos o presidente Assad. Ou seja, se trata de aberta falsificação”.

“Não é segredo para ninguém qual é o objetivo que a imprensa árabe e ocidental persegue”, continua o investigador Boris Dolgov.

“A Síria é aliada do Irã. A primeira coisa que os adversários da Síria e do Irã devem fazer é destruir a Síria ou enfraquecê-la ao máximo. O Irã sem a Síria é um adversário muito menos sério”.

Agora, na Síria se encontra o enviado especial da Liga Árabe e da ONU, Kofi Annan. Moscou espera que os países árabes apoiem a sua missão. Quando os observadores da Liga Árabe foram a Damasco, a importância do seu trabalho foi praticamente desautorizada. Cria-se a impressão, diz o ministro russo das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, de que, assim que se consegue alcançar mudanças positivas na posição de Damasco, logo surge do outro lado uma reação contrária e os passos alcançados acabam por não ter efeito. Resta ter esperança de que isso não vá acontecer com a missão de Kofi Annan.
Fonte: VozdaRussia

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