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A análise da situação na economia mundial, a reforma do FMI, o problema da segurança energética e os mais graves problemas políticos internacionais são os temas que estarão em foco na 4ª cúpula do BRICS que irá decorrer na Nova Deli entre 28 e 29 de março. Os participantes do encontro, chefes de Estado, terão ainda de coordenar suas posições em relação aos mais importantes problemas na véspera do G8 e do G20

O pai da designação BRIC foi Jim O´Neill, economista do grupo financeiro Goldman Sachs. Na altura, em 2001, em um relatório analítico, ele escrevia que para 2050 o Brasil, Rússia, Índia e China poderiam se tornar dominantes na economia mundial. Passados alguns anos, em 2011, a África do Sul decidiu se juntar ao grupo, cujo nome aumentou e uma letra – S (South Africa).

O formato de cúpulas apareceu há três anos e o próximo encontro ao mais alto nível na Índia será o quarto. Na cúpula em Nova Deli, para além de problemas globais, será discutida a interação dos cinco países, inclusive na esfera energética em que foram alcançados resultados notáveis. Um dos exemplos patentes é a entrada em exploração do oleoduto Skovorodino-Mohe, entre a Rússia e a China, pelo qual a Rússia já forneceu no ano passado à China 15 milhões de toneladas de petróleo. Quanto à interação financeira, na cúpula na Índia será dado um passo importante que permitirá aos países não depender das moedas mundiais – do dólar e do euro, diz Arkady Dvorkovitch, assessor do presidente da Rússia:

“Como se espera, na cúpula em Nova Deli, os dirigentes dos bancos de desenvolvimento dos países do BRICS irão assinar acordos gerais sobre a concessão de créditos em moedas nacionais no quadro do mecanismo de cooperação interbancária dos países-participantes do BRICS e a confirmação multilateral de cartas de crédito. Este será um passo importante no desenvolvimento de pagamentos recíprocos em moedas nacionais.”

Pelo visto, os líderes dos países do BRICS discutirão a iniciativa da Índia de formar um banco internacional de desenvolvimento – “Sul-Sul” que poderia financiar projetos em países em desenvolvimento, diz Arkady Dvorkovitch.

“Os parâmetros de tal banco estão a ser discutidos. Por enquanto não se sabe definitivamente em que prazos e em que base ele pode ser formado. Os ministros das Finanças e da Economia discutem esta questão. Mas qualquer mecanismo de apoio ao desenvolvimento dos países mais pobres, em primeiro lugar os africanos, pode servir de indicador da crescente unidade dos países do BRICS nestas questões.”

É difícil dizer se esta iniciativa – a criação de um novo banco – terá continuidade, porque já existem projetos semelhantes, em particular, o Banco Asiático e um banco comum da Rússia e do Cazaquistão. Os peritos consideram que primeiro é necessário estudar o funcionamento das instituições financeiras existentes e já depois criar novas estruturas e só na condição se houver tal necessidade.

Na cúpula, será discutida também a participação do BRICS em programas anti-crise do Fundo Monetário Internacional (FMI). Atualmente, o Fundo precisa de capitalização adicional, sobretudo para ajudar os países europeus endividados. Ao mesmo tempo, os investimentos dos países do BRICS nos capitais do FMI já são bastante grandes. Mas, para responder aos pedidos de países europeus, é necessário aumentar os recursos do FMI. O volume e o caráter desta participação serão discutidos no encontro.

Em Nova Deli, tal como nas cúpulas precedentes, será abordado o tema da segurança global. Os problemas mais graves nesta área são evidentes: a situação na Síria e em torno do programa nuclear iraniano. Os líderes irão trocar opiniões e tentarão definir as suas posições em relação a esta temática, para coordenar ações posteriores.
Fonte: VozdaRussia

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