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Pesquisa da Fecomércio-RJ/Ipsos realizada com mil pessoas em 70 cidades do país, incluindo nove regiões metropolitanas,  revelou que  mais da metade  da população ( 52%) admitiu ter comprado algum produto pirata no ano. Entre 2010 e 2011 houve um crescimento de 4% no número de pessoas que admitiram comprar produtos falsificados.

Um dado alarmante desse levantamento, divulgado em setembro, é a significativa adesão das classes A e B ao consumo de produtos piratas de um ano para o outro. Em 2010, 47% dos entrevistados destas classes afirmaram que adquiriram algum item dessa natureza. Este ano, 57% admitiram ter comprado produtos falsificados, apesar de ter consciência sobre a prática ilegal e seus prejuízos.

O estudo mostrou também que 82% dos consumidores das classes A e B acreditam que a pirataria alimenta a sonegação de impostos. Para estes, o consumo de produtos piratas também oferece prejuízo ao fabricante ou artista (80%) e prejudica o faturamento do comércio (75%). No entanto, estes consumidores acreditam cada vez menos que o produto pirata cause desemprego e alimente o crime organizado. Os produtos falsificados mais consumidos são CD, DVD, roupas, óculos, calçados, bolsas ou tênis. A principal justificativa apresentada para a compra de produtos piratas continua sendo o preço mais em conta.

Se você compartilha dessa opinião, é importante repensar sues conceitos e valores ,  pois, não tenha dúvida que  o barato, nesse caso, sai caro para toda a sociedade.  O Secretário Executivo do Fórum Nacional Contra a Pirataria (FNCP), Rafael Bellini, em entrevista concedida ao Portal do Consumidor, ressalta que estudos direcionados ao funcionamento do mercado informal, voltado à venda de produtos falsificados (piratas), constataram que as consequências se estendem desde o aumento do risco à saúde e segurança do consumidor, exposto a um produto em desacordo com as normas técnicas e de higiene, até o fato de que a aquisição de produtos de origem duvidosa contribui para a manutenção e o fortalecimento de grandes organizações criminosas. Estas se beneficiam do comércio de produtos falsificados para introduzir em nosso país drogas e armas, contribuindo para o aumento da insegurança pública, do desemprego, bem como para a inibição de investimentos nas áreas de infraestrutura e pesquisa e desenvolvimento no país.

Bellini lembra que o combate a esse tipo de crime depende da atuação em diversas frentes como atividades repressivas, executadas pelos órgãos de repressão e fiscalização nas esferas federal, estadual e municipal e no âmbito do setor privado; ações educativas e de conscientização junto ao consumidor; propostas econômicas envolvendo a redução do preço final dos produtos originais, a necessidade de se debater a redução da atual carga tributária para alguns setores, e o acompanhamento de propostas legislativas no Congresso Nacional. Ele ressalta que todas essas vertentes são constantemente e concomitantementes desenvolvidas na esfera pública e privada, por meio dos órgãos públicos, associações, institutos, escolas, universidades e demais atores que se preocupam com o tema combate à pirataria e suas consequências para o país.

Entretanto, todas essas ações podem perder sua eficácia se a maioria dos consumidores não percebe os problemas intrínsecos ao consumo do produto falsificado. Assim, a compra de um simples DVD falsificado não pode ser desvinculada das conseqüências geradas por essa prática. “A compra de forma responsável não deve se restringir a satisfação imediata de sua vontade, já que o incentivo ao comércio irregular retorna à sociedade em forma de desemprego formal, enfraquecimento dos direitos do consumidor consagrados no Código de Defesa do Consumidor, insegurança pública, dentre outros reflexos negativos”, lembra o Secretário Executivo do FNCP.
Fonte: Idec

Confira aqui a entrevista na íntegra.