O leito de morte é a última chance de alguém dizer alguma coisa importante na vida. E quanto mais famoso é o morimbundo, mais altas são as chances de alguém estar lá para documentar as suas últimas palavras. Em alguns casos, o último respiro verbal até parece ter sido ensaiado. Em outros, as palavras deixam transparecer traços da personalidade de quem as disse: brava, romântica, sofredora, irônica, artística.

Confira algumas frases célebres pronunciadas momentos antes da morte de personagens famosos da história.


“Você também, meu filho?”

Quem disse? Julio César, imperador romano, 44 a.C., para um de seus assassinos
Como morreu?
 Júlio César foi esfaqueado pelos colegas políticos, inclusive por Brutus, seu antigo protegido. A história do imperador é tão rodeada por mitos que fica difícil separar a realidade da ficção. Pode ser que ele não tenha dito nada além de um gemido de dor, mas a frase é poética e ficou famosa. A expressão imortalizada: “Até tu, Brutus” é na verdade de uma citação da peça Julius Caesar, escrita por Shakespeare por volta de 1599.

“Ainda estou vivo!”

Quem disse? Calígula, imperador romano, 41 a.C., para si mesmo
Como morreu? Foi esfaqueado por seus próprios guardas por razões políticas – dizem que a excentricidade de Calígula influenciava seus métodos de governo. Ele era um líder cruel e extravagante e seu jeito começou a incomodar quem vivia à sua volta. Gritou “TÔ VIVAUM” logo antes de, bem, não estar mais.

“Ok, ok, estou indo. Espere só um minuto.”

Quem disse? Papa Alexandre VI, 18 de agosto de 1503, para si mesmo (ou para Deus, ou para o diabo…)
Como morreu? Alexandre VI foi um dos papas mais controversos da Renascença. Há suspeitas de que ele envenenava os inimigos com arsênico. Aos 72 anos, teve uma intoxicação que resultou numa hemorragia interna fatal.

“Nada além da morte.”

Quem disse? Jane Austen, escritora britânica, 18 de julho de 1817, em resposta a sua irmã Cassandra, que lhe perguntou se ela queria alguma coisa.
Como morreu? Morreu aos 41 anos, possivelmente de uma insuficiência renal crônica.

“Aplaudam, amigos, a comédia terminou.”

Quem disse? Ludwig van Beethoven, compositor alemão clássico, 26 de março de 1827. A frase é tradicionalmente dita ao final de uma performance da commedia dell’arte (forma de teatro popular improvisado, típico da época).
Como morreu? A morte de Beethoven é cercada de hipóteses e não se sabe ao certo o que o matou, quando tinha 57 anos. Outras palavras podem ter sido as últimas do compositor: “Eu ainda ouço no Céu” (Beethoven morreu surdo) e “Eu sinto como se não houvesse escrito mais que algumas notas musicais” (Beethoven deixou um legado de mais de 170 peças musicais). Outro biógrafo afirma que ele não disse nada, só gemeu em sua cama.

“Vá embora, últimas palavras são para bobos que nunca disseram o suficiente.”

Quem disse? Karl Marx, filósofo, economista, teórico político, 14 de março, 1883, para uma criada.
Como morreu? Marx disse a frase acima para sua empregada doméstica, que lhe pediu que dissesse suas palavras finais, para que ela as anotasse para a posterioridade. Marx morreu aos 65 anos, de bronquite e pleurisia.

“Tudo é uma ilusão.”

Quem disse? Mata Hari, dançarina exótica holandesa, agente dupla (ou não) durante a Primeira Guerra Mundial, 15 de outubro de 1917, para seus executores.
Como morreu? Foi executada na França acusada de espionagem para a Alemanha. Muitos dizem que ela também era espiã francesa. Mas ela negou tudo. Tudo é uma ilusão, enfim.

“Deem-me café, eu quero escrever!”

Quem disse? Olavo Bilac, poeta brasileiro, 20 de dezembro de 1918, para si mesmo.
Como morreu?
 O poeta morreu de infecção no pulmão aos 53 anos. Conta-se que acordou da febre de madrugada e disse a frase antes de falecer. Isso é que é vocação!

“Apronte minha fantasia de cisne.”

Quem disse? Anna Pavlova, bailarina russa, 23 de janeiro, 1931.
Como morreu? Morreu de pneumonia, no auge de sua carreira, aos 49 anos.

“Será que ninguém entende?”

Quem disse? James Joyce, escritor irlandês, 13 de janeiro de 1941.
Como morreu?
 Joyce morreu de uma cirurgia mal sucedida para curar uma úlcera perfurada. Ironicamente, Joyce é um escritor tido como difícil de entender, ainda que tenha sido um marco da literatura moderna.

“… e saio da vida, para entrar na história.”

Quem disse? Getúlio Vargas, presidente brasileiro, 24 de agosto, 1954, em sua carta de suicídio.
Como morreu? Getúlio se matou com um tiro no peito no Palácio do Catete, que na época era sede da república, no Rio de Janeiro. O motivo do suicídio teria sido a pressão dos militares e da imprensa para que ele renunciasse, por suposto envolvimento no atentado contra Carlos Lacerda, jornalista e político que fazia oposição a Vargas.

“Amem uns aos outros”

Quem disse? George Harrison, guitarrista dos Beatles. Conhecido como o Beatle calado, na década de 1960 começou a seguir o hinduísmo. Compôs clássicos da banda inglesa como “Here comes the sun”, “Something” e “While my guitar gently weeps”.
Como morreu? Suas últimas palavras foram registradas por sua esposa em 29 de novembro de 2001. George lutava contra um câncer e fora submetido, uns meses antes, à radioterapia na Suíça. Antes de morrer, teria dita apenas: “Love one another”.

“Eu e meu papel de parede estamos em um duelo mortal. Um de nós precisa ir”

Quem disse? Oscar Wilde, escritor e poeta irlandês. Seu texto mais famoso, O Retrat0 de Dorian Gray, trata da vaidade dos homens e é tido por críticos como um dos melhores romances ingleses.
Como morreu? Sucumbiu a um ataque de meningite em 1900. Suas últimas palavras foram ditas em um quarto de hotel. Um detalhe: depois de a declaração vir a público, os donos do hotel decidiram mudar o papel de parede do quarto onde Wilde estava. No fim, nem Wilde nem o papel de parede resistiram.

“Bebam por mim, bebam por minha saúde. Vocês sabem que não posso mais beber.”

Quem disse? O pintor, escultor e desenhista espanhol Pablo Picasso, famoso por seu trabalho com técnicas cubistas. É autor de mais de 20 mil trabalhos, conhecidos mundialmente.
Como disse? Picasso já havia encerrado sua atividade artística na ocasião. O fim da carreira aconteceu após uma operação na próstata e na visícula e depois de perder parte da visão. Em abril de 1973, enquanto jantava com sua esposa Jacqueline, proferiu suas últimas palavras. Jacqueline não bebeu. Em 1986, a esposa, ainda sem ter se recuperado da morte do pintor, pegou uma arma e tirou sua própria vida.

“O estado da Flórida está matando uma pessoa inocente. O estado da Flórida está cometendo um crime, porque eu sou inocente. A pena de morte não é somente uma forma de vingança, é também um ato covarde dos humanos. Sinto muito pelo que está acontecendo a mim e pela minha família, que está tendo que passar por isso.”

Quem disse? Ángel Nieves Díaz, porto-riquenho condenado por assassinato nos Estados Unidos e executado por injeção letal.
Como disse? A execução de Ángel foi polêmica. O executado morreu declarando-se inocente. Mais do que isso. Durante o processo de execução, que dura cerca de 15 minutos, tardou 37 minutos. Doses e mais doses da droga eram injetadas e o condenado não morria.

 “Dinheiro não pode comprar vida”

Quem disse? Bob Marley, músico jamaicano.
Como disse? Em 1977, Marley foi diagnosticado com um melanona maligno. Quatro anos depois, em 1981, quando voava da Alemanha para a Dinamarca, suas funções começaram a piorar. Um desembarque forçado em Miami foi a última tentativa para levar o cantor a um hospital. Bob morreu, aos 36 anos, devido a disseminação do melanona para os pulmões e para o cérebro. No leito de morte, disse a seu filho Ziggy: “O dinheiro não pode comprar a vida”.
Fonte: SUPER

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