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Inmetro abre espaço para sociedade de consumo consciente e sustentável. Conhecido por fiscalizar a qualidade e a segurança dos produtos, também faz pesquisas na área de meio ambiente.

O repórter André Trigueiro esteve nos laboratórios do Inmetro e mostra que lá se pesquisa de novos tipos de iluminação até terra mais fértil.

As etiquetas do Inmetro nos ajudam a fazer as compras mais inteligentes de eletrodomésticos, carros e até casas. Quanto mais próximo da letra “A”, menor o consumo de energia.

Apenas no caso dos refrigeradores e condicionadores de ar, em quase 30 anos de existência as etiquetas do Inmetro já proporcionaram uma economia de energia de quase dois bilhões de meio de reais. Mais de três milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser emitidas.

“O consumidor, ao fazer essa decisão, premiando obviamente o próprio bolso e os produtos mais eficientes com a sua escolha, ele avança significativamente em tornar o sistema. Todo mais competitivo e mais eficiente e menos impactante ao meio ambiente”, explica João Jornada, presidente do Inmetro.

São muitas as linhas de pesquisa do Inmetro que valorizam o meio ambiente. Uma das mais importantes é a terra preta, coletada em certas áreas da Amazônia, ocupadas por antigas civilizações indígenas.

Em um laboratório do Inmetro, a aproximadamente quatro mil quilômetros de distância da Amazônia, amostras de terra preta de índio estão sendo submetidas a uma intensa bateria de testes. Os cientistas querem saber por que ela é tão mais fértil do que qualquer outro tipo de solo conhecido. Se tudo der certo, a idéia é recriar terra preta de índio em escala industrial.

“É a única terra do mundo de alta fertilidade, de fertilidade considerada quase que infinita, que pode ser utilizada por longo tempo e que foi feita pelo homem. Então o que a gente tem que fazer é aprender como é que isso foi feito anteriormente e replicar”, diz Carlos Alberto Achete, coordenador de laboratórios e infra-estrutura do Inmetro.

Com a ajuda do maior microscópio da América do Sul, capaz de medir átomo a átomo a estrutura do solo fértil dos índios, o Inmetro busca as respostas que valem ouro em um país onde a agricultura depende tanto de fertilizantes químicos.

Em outro laboratório no mesmo complexo do Inmetro, uma luz diferente chama a atenção dos visitantes. Chama-se OLED. É a versão orgânica do LED que já conhecemos, mas que consome mil vezes menos energia do que uma lâmpada fluorescente.

Com ela, é possível fazer brilhar qualquer superfície. O mais surpreendente é que a tecnologia dispensa o uso de lâmpadas e deve estar no mercado em três anos.

“A iluminação no futuro para um ambiente não vai ter mais lâmpada. A sua iluminação vai ser tipo quadro e a superfície pode ser qualquer coisa, pode ser um vidro, pode ser madeira, pode ser um plástico, pode ser um tecido, pode qualquer coisa. Quer dizer, você vai ter a sua sala, todas as paredes da sala podem ser uma lâmpada se você quiser. Gastando pouquíssimo”, garante Carlos Alberto.

Enquanto ainda dependemos das lâmpadas, que elas sejam, no mínimo, econômicas. Não basta que uma lâmpada simplesmente ilumine, ela precisa ser também eficiente. Para isso é preciso medir duração, alcance, intensidade, e consumo de energia. Em um laboratório, que é o maior do gênero na América do Sul, o Inmetro definiu os critérios de fabricação das lâmpadas tipo LED. No Brasil, as novas regras entram em vigor até o próximo mês de fevereiro.

As lâmpadas LED foram submetidas aos mais variados tipos de testes. Tudo para beneficiar o consumidor, como explica Gustavo Kuster, chefe da divisão de regulamentação técnica do Inmetro. “Hoje você não tem nenhum tipo de parâmetro nem para o fabricante, nem para o comércio, de uma lâmpada LED ou de uma luminária. Você chega no mercado, você compra lá, ele diz que dura 20 mil horas, 40 mil horas e você não sabe. À partir do momento que você bota uma linha de corte e diz olha o mínimo são 26 mil horas, você estabelece um parâmetro tanto para o consumidor, quanto para o mercado”.

O Inmetro abre caminho para uma sociedade de consumo mais consciente e sustentável.

Fonte: Jornal da Globo