Desde atrações para turismo ecológico, crateras de 40km e nomes poéticos até aparições supostamente alienígenas, os municípios com as menores populações do Brasil têm bastante a oferecer ao resto do país. Segundo o Censo 2010 do IBGE e estimativas de 2013, nenhum dos municípios da lista tem mais de 1.500 habitantes. No entanto, todos têm alguma história ou fato interessante que vale a pena conhecer.

1-Serra da Saudade (MG) – 825 habitantes

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No Censo 2010 do IBGE, o pequeno município da região central de Minas Gerais, fundado em 1963, tinha somente 815 habitantes. A estimativa do mesmo órgão de pesquisa estima que, em 2013, a população teria crescido em apenas 10 pessoas, tomando de Borá (SP) a posição de município com menor número de habitantes do país.

Fato interessante: há uma lenda que cerca a escolha do nome Serra da Saudade. Segundo ela, por volta do século XVIII, uma tribo de índios que vivia no lugar foi dizimada, restando apenas uma índia. Seus parentes que moravam na Bahia teriam lhe enviado uma carta, mas, com a demora e a falta de estrutura do transporte na época, a correspondência teria chegado apenas após a morte da índia e estaria toda molhada e danificada. A única palavra que ainda se podia ler na carta era: saudade.

2- Borá (SP) – 834 habitantes

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Nomeado assim por causa de uma abelha que se espalhava na região, Borá já foi o município com a menor população do país, com apenas 805 pessoas, segundo o Censo 2010. No entanto, sua população estimada de 2013 alcançou 834 habitantes e perdeu a posição. Com uma área de cerca de 118 km², Borá tem o segundo maior PIB per capita da nossa lista, R$35.083,00 (dado de 2011).

Fato interessante: Em 2011, uma ação de marketing da bala Halls levou uma equipe à cidade para entrar em contato com os moradores e incentivá-los a criarem perfis no Facebook. Isso fez com que Borá se tornasse o município do país com o maior índice de habitantes cadastrados nessa rede social: 93% da sua população.

3- Araguainha (MT) – 1.024 habitantes

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Com cerca de 687 km², a maior área nesta lista, o município de Araguainha também tem a menor densidade populacional dentre os nomes aqui listados: apenas 1,59 habitantes por km². O território foi ocupado por causa de atividades garimpeiras e foi elevado à categoria de município em 1963.

Fato interessante: O município possui um astroblema, ou seja, uma cratera de impacto, de 40 km, causado pela queda de um corpo celeste de diâmetro de cerca de 1,7 km no período Triássico, há cerca de 250 milhões de anos atrás. Estima-se que o objeto tenha penetrado aproximadamente 2,4 km na superfície e gerado uma cratera de 24 km, que, com os efeitos da erosão, tomou os 40km de diâmetro atuais.

4- Anhanguera (GO) – 1.082 habitantes

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Com apenas 56,9 km², a menor área entre as cidades da lista e uma das menores entre os municípios brasileiros, Anhanguera tem a maior densidade demográfica: 17,91 habitantes por km². Sua população, segundo o Censo 2010, era de 1.020 pessoas, mas a estimativa para 2013 calcula um crescimento para 1.082.

Fato interessante: o nome Anhanguera significa “Diabo Velho” e foi dado ao município por causa de um bandeirante que assim foi chamado por um cacique indígena. Isso porque o bandeirante, que viera à região procurar minas de ouro e desejava entrar no território de uma tribo, encheu uma guampa de pólvora, encostou-a no rio e ateou fogo, dando aos índios a impressão de que o fogo vinha da água. Com medo de que ele ateasse fogo a todos os rios, a tribo deixou que ele passasse. Na capital do estado, Goiânia, há o nome de uma avenida e um monumento dedicados ao famoso Anhanguera.

5- Oliveira de Fátima (TO) – 1.085 habitantes

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O município com menos habitantes do Tocantins tem uma área de 205 km² e possuía uma população de 1037 pessoas em 2010, calculada para 1085, em 2013. Tem uma densidade de cerca de 5 habitantes por km².

Fato interessante: a cidade fica a 86km em linha reta da capital Palmas, mas 128km de estrada. A emancipação do município se deu apenas em 1994.

6- Nova Castilho (SP) – 1.195 habitantes

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O melhor IDH da lista fica com o município de Nova Castilho, que tem o mesmo índice de cidades como Ilhabela (SP) e Itabira (MG): 0,756, considerado alto. O município tem também o maior PIB per capita entre os nossos nomeados, R$40.809,77 – número alto nesta lista, mas ainda distante dos maiores índices do país (algumas cidades brasileiras, como Presidente Kennedy, ES; Louveira, SP; e São Gonçalo do Rio Abaixo, MG; chegam a mais de 250 mil reais). Localizado no noroeste do estado de São Paulo, Nova Castilho tinha 1.125 habitantes em 2010 e estimativa de 1.195 em 2013. O município, de cerca de 183 km², foi criado apenas em 1995, tendo sido desde 1948 um distrito de General Salgado.

Fato interessante: Em 2012, Nova Castilho foi considerada a cidade paulista com a pior sinalização, pelo IBGE. Há uma placa indicando a entrada do município e nada mais: os pesquisadores não encontraram nenhuma placa indicando nome de ruas.

7- Cedro do Abaeté (MG) – 1.227 habitantes

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Em 1962, Cedro do Abaeté se desvencilhou do município de Abaeté e se emancipou. Sua população de 1.210 habitantes, em 2010, com estimativa de 1.227, em 2013, ocupa um território de cerca de 283 km², formado por um relevo montanhoso.

Fato interessante: Cedro do Abaeté faz parte do Circuito Turístico Caminhos do Indaiá, que aposta no potencial turístico de oito municípios da região Centro-Oeste/Alto-Paranaíba, MG. Além de ficar à margem do Rio Indaiá, afluente do Rio São Francisco, o município é cercado por diversos córregos e se localiza a uma altitude de 920m, tendo vários morros, trilhas, cachoeiras e grutas como ponto de ecoturismo.

8- Miguel Leão (PI) – 1.244 habitantes

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Com o menor IDH da lista, 0,623 (considerado médio), Miguel Leão tem também o pior PIB per capita: R$7.824,51, número que ainda mantém uma boa distância dos cem piores índices no Brasil. Este município, emancipado em 1962, fica a 88km da capital do estado do Piauí, Teresina. Tinha 1.253 habitantes, em 2010, com estimativa de 1.244, em 2013.

Fatos interessantes: segundo alguns ufólogos, Miguel Leão é particularmente interessante pelo grande número de incursões supostamente alienígenas no local, dos quais grande parte da população tem conhecimento. O maior acontecimento foi em 1999, quando um objeto teria descido na praça central da cidade, à vista de todos. Desde então, alguns grupos de ufologia fazem excursões ao município, para pesquisar a respeito e tentar avistar algum objeto voador não identificado.

Fontes: CPRM; IBGE; Terra; G1; SEADE; SUPER