França Soft PowerExiste um aspecto comum à todos os Estados: a busca pelo poder, seja ele em parâmetros internos ou internacionais. Por muito tempo a definição de poder estava vinculada diretamente aos recursos de um país, como por exemplo o potencial militar que o mesmo detém. Porém, essa é uma visão crua e simplista do que realmente é o poder, o qual não se limita aos recursos econômicos ou militares de um país.

         O poder, em um aspecto amplo, é visto como a capacidade que um detém para afetar o resultado de algo à seu favor, ou seja, a habilidade de influenciar a ação do outro para conseguir atingir o resultado que almeja (NYE, 2004). O soft power é mais do que apenas persuasão, visto que, um líder que reconhece sua importância e faz uso do mesmo para aumentar seu poder e de sua nação deve buscar conhecer os desejos e vontades já existentes no outro, pois é muito mais fácil conseguir alguém que o defenda e siga quando aquela pessoa já acredita previamente do que você prega ideologicamente. O soft power, então, é a habilidade de moldar as preferências dos outros (NYE, 2004).

Historicamente na política mundial, a importância do alcance militar de um Estado como sinônimo direto de poder foi sempre muito defendida. Entretanto, nos dias de hoje, apesar de não ser descartada a funcionalidade da força armada e a guerra ainda ser possível, é muito menos aceitável do que era há um século. É muito difícil atualmente legitimar atos violentos perante o direito internacional, sendo assim uma escolha pouco conveniente aos Estados.

Analisando o cenário atual, podemos encontrar constantes exemplos de soft power no meio dos países que são reconhecidos globalmente como poderosos, um exemplo claro, e também o mais utilizado, para definir esse conceito é os Estados Unidos. Reconhecido como potência internacional e detendo e uma imensa influência cultural às massas populares, muitos sonham em viver a vida em um American-style.

Podemos notar através de recentes pesquisas que a força do soft power estadunidense vem diminuindo desde a entrada de Donald Trump na presidência, um reflexo principalmente da sua campanha “America first”. Seus discursos nunca foram voltados a aspectos globais, sendo um exemplo claro o repúdio sempre apresentado por culturas latino-americanas e a busca incessante pela diminuição de imigrantes no país, não sendo algo positivo aos olhares internacionais.

Um dos aspectos principais do soft power é deixar seu país e cultura mais atrativos e admirados por outros Estados e sociedades, para, assim, gerar a influência desejada. Entretanto, o que ocorreu foi o reconhecimento negativo da política de Trump em aspectos culturais, diminuindo a admiração de muitos pelo viés político do país, não alterando simultaneamente a visão utópica que muitos possuem sobre a cultura do mesmo.

Os Estados Unidos continua com sua enorme influência no cenário internacional, tanto em visões políticas quanto midiáticas, porém podemos observar que o soft power do país continua declinando. Esse aspecto não tem previsão de mudanças se o atual presidente do país continuar governando priorizando o hard power e políticas estritamente internas, saindo de pactos internacionais e quebrando acordos previamente propostos. Por um outro lado, tem-se observado o crescente aumento do soft power da França desde a posse de Macron, que vem agradando muito os olhares internacionais.

O atual presidente francês já foi alvo de comparações com Donald Trump por alguns jornais ao redor do globo, no sentido que, assim como o presidente estadunidense, sua política vem sido voltada ao constante desejo de aumentar o reconhecimento da sua nação. Em contrapartida, apesar de terem o mesmo objetivo, ao contrário de Trump que possui investidas militares e agressivas, menosprezando a comunidade internacional, Macron vem tomando medidas no governo extremamente diferentes, com um viés mais diplomático e agradável.

Essas questões puderam ser constatadas quando foi revelado o resultado do The Soft Power 30 em 2017, um ranking realizado anualmente pela empresa midiática de Portland, nos Estados Unidos. De acordo com a pesquisa deles, a França, que antes estava estagnada no 5º lugar, se encontra atualmente em 1º, e com o desenvolvimento ainda crescente, passando na frente dos Estados Unidos, que perdeu o posto de país mais influente e caiu para o 3º lugar.

Essa mudança do cenário mostra o que um novo líder com visão política internacional mais ampla e revolucionária pode fazer com a popularidade e reputação do seu país. A simpatia de Macron perante os outros governantes dos Estados tem sido um tópico constantemente comentado por matérias a respeito do político, que ganha cada vez mais popularidade, conquistando maioria dos representantes estatais.

Além disso, sua maior arma tem sido a própria cultura francesa, como por exemplo quando, em Novembro de 2017, ele voou para a abertura do Louvre em Abu Dhabi, museu criado com algumas obras do arsenal nacional francês. Apesar da cultura da França já ser disseminada pelo mundo, sendo um dos destinos mais desejados por muitos, Macron tem sucedido em aumentar ainda mais sua popularidade, querendo inclusive aumentar o alcance do idioma francês ao redor do mundo.

Essa comparação mostra através de fatos a importância do soft power, afinal, líderes globais montam políticas internacionais baseadas na percepção de outros países. Um exemplo disso é o atual posicionamento da China como líder em políticas ambientalistas, emergindo após a saída dos Estados Unidos do Acordo Climático de Paris, medida tomada pelo presidente Donald Trump. A política feita através, principalmente, do soft power, é extremamente relevante na realização de objetivos milenares, tais como a promoção da democracia, direitos humanos e livre comércio, aspectos muito pontuados na política de Macron atualmente.

Mesmo com o presidente francês ter dado um salto consideravelmente grande no poder de influência de seu país, governantes não estão em pleno controle do soft power. Muito dele é realizado pela própria sociedade, o que ela produz e transmite ao cenário internacional. Um exemplo disso é como o soft power estadunidense está profundamente vinculado à Hollywood e à mídia do país. A política de Macron, apesar de muito ligada à cultura francesa, não precisava necessariamente fazer uso dela para conseguir ser mais influente, tendo em vista o fato de que, o que mais impactou a comunidade internacional, foi sua atuação perante outros governantes e o aumento da diplomacia francesa.

Ainda com 4 anos de mandato pela frente, se Macron continuar pelo caminho que está seguindo, sabendo trabalhar o soft power do país, podemos ver um futuro brilhante para a política francesa perante os aspectos internacionais, com uma cada vez mais crescente influência e poder de voz.
Fonte: Internacionalize-se