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Apesar de a lei brasileira proibir a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos (Lei nº 9.294 – 15/07/1996), essa prática é muito comum entre os jovens – seja no ambiente domiciliar, em festividades, ou mesmo em ambientes públicos. Em 2005, O Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, apontou que o uso de álcool era de 54,3% entre os adolescentes de 12-17 anos que participaram da pesquisa.

Por outro lado, o exagero no consumo de álcool não se restringi a menores de 18 anos, O  Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira, em 2007, mostrou que 52% dos brasileiros acima de 18 anos bebem (pelo menos 1 vez ao ano). Desse grupo, 60% dos homens e 33% das mulheres consumiram 5 doses ou mais na vez em que mais beberam no último ano. Do conjunto dos homens adultos, 11% bebem todos os dias e 28% consomem bebida alcoólica de 1 a 4 vezes por semana – são os que bebem “muito freqüentemente” e “freqüentemente”.

Flavio Pechansky do Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas da UFRGS, em artigo publicado sobre o tema na Revista Brasileira de Psiquiatria, comenta que “a sociedade como um todo adota atitudes paradoxais frente ao tema: por um lado, condena o abuso de álcool pelos jovens, mas é tipicamente permissiva ao estímulo do consumo por meio da propaganda”.

Além da lei que proíbe o uso de bebidas por menores de 18 anos também existe um movimento na direção do consumo responsável de álcool, com campanhas na mídia associando o consumo de álcool com moderação ou com prevenção de acidentes, e iniciativas do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária – CONAR em relação à regulamentação de propaganda voltada para jovens. Entretanto, o cotidiano vem mostrando que esses esforços têm impactado menos que as propagandas de bebidas alcoólicas extremamente bem elaboradas. “Há uma disputa, no mínimo, desproporcional entre as belas imagens produzidas em um comercial e a tarja preta governamental, sóbria e obrigatória, pedindo para o jovem “beber com moderação” ou “não dirigir, se beber””, afirma Pechansky.

De acordo com especialistas sobre o tema, o uso de álcool na adolescência está associado a uma série de comportamentos de risco, além de aumentar a chance de envolvimento em acidentes, violência sexual e participação em gangues, esta  fortemente associado à morte violenta, queda no desempenho escolar, dificuldades de aprendizado, prejuízo no desenvolvimento e estruturação das habilidades cognitivo-comportamentais e emocionais do jovem. O consumo de álcool causa modificações neuroquímicas, com prejuízos na memória, aprendizado e controle dos impulsos, destaca Pechansky.

O Pediatra com especialidade em Toxicologia e Diretor do CEATOX – Centro de Assistência Toxicológica, Dr. Anthony Wong, destaca também os danos à saúde. Ele enfatiza que o álcool é a única substância que conhecemos que é tóxica para todas as células do corpo. A bebida, se consumida em excesso, prejudica principalmente a capacidade enzimática destas células, a transmissão de impulsos nervosos e a integridade celular, consequentemente, suas sequelas poderão ser duradouras. Dessa forma, é possível citar alguns riscos graves com impacto direto na saúde, a longo prazo, como: hepatite alcoólica, gastrite, síndrome de má absorção, hipertensão arterial, acidentes vasculares, cardiopatias (aumento do ventrículo esquerdo com cardiomiopatias), alguns tipos de cânceres (esôfago, boca, garganta, cordas vocais, câncer de mama nas mulheres e o risco de câncer no intestino), pancreatite e polineurite alcoólica (dor, formigamento e câimbras nos membros inferiores). É importante destacar que no caso das mulheres, essas manifestações são mais precoces.

Administrar o consumo de bebida dos filhos não é uma tarefa simples para os pais e responsáveis. Entendendo que esse é o desafio diário de muitos e que, com a proximidade do carnaval, o consumo dessas bebidas tende a ser maior, listamos algumas dicas que podem auxiliar os pais nessa empreitada, publicadas na revista Viva Saúde.

• Busque informações sobre os efeitos do álcool e o alcoolismo na adolescência. Um pai bem informado ganha poder de persuasão no diálogo com os adolescentes;
•  Fique atento em relação aos amigos identificando os que  não são os melhores amigos nesse aspecto  e estabeleça  limites e acordos com seus  filhos. Evite dizer apenas não. Aprenda a escutar seus filhos e as razões deles para justificar o consumo de álcool.
•  Dê o exemplo em casa, evitando o uso indevido (regular e em excesso) de bebidas alcoólicas.
•   Participe da vida do adolescente e supervisione seu filho, quando necessário.
•  Propicie qualidade de vida ao jovem e estimular hábitos saudáveis, com passeios ao ar livre, contato com a natureza e momentos de lazer em família.
Fonte: CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool,  UOL,  Veja

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